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Os pintores dos vasos arcaicos

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Oceano, Tétis e Ilítia

Curiosamente, os autores antigos admiravam os escultores e pintores de grandes painéis, mencionavam suas obras e até mesmo algumas de suas características, mas nada deixaram a respeito dos vasos gregos (Richter 1936, p. xxi-xxii).

Tudo o que sabemos a respeito de ceramistas e decoradores de vasos provém de estudos modernos, iniciados no século XVIII com a publicação em 1766-1776 do catálogo de vasos de Sir William Hamilton, aos cuidados de Pierre-François D'Hancarville.

Prancha colorida (Londres 1772,0320.30)
D'Hancarville 1766, p. 430-1

A publicação posterior de numerosos catálogos ilustrados de colecionadores particulares, museus e escavações arqueológicas permitiram estudo mais aprofundado das características físicas e estilísticas da cerâmica e de sua iconografia.

A assinatura do ateniense Eufrônio em um dos vasos da coleção do Príncipe de Canino foi identificada nas primeiras décadas do século XIX (Witte 1838, p. 110), o que estimulou o interesse pela identificação de ceramistas e pintores. Até hoje, porém, sabemos o nome de pouco mais de uma vintena de pintores de vasos e de vários ceramistas, mas a vasta maioria dos pintores é conhecida por apelidos diversos: Pintor de Cleofrades, Pintor de Hefesto, Pintor do Louvre G 465, etc.

Dada a escassez de assinaturas, a identificação de autores se dá pelo estilo da pintura e por alguns detalhes (e.g. olhos, mãos e orelhas das figuras), técnica preconizada pelo médico e historiador da arte Giovanni Morelli (1816/1891) no século XIX e aperfeiçoada pelo arqueólogo John Beazley (1885/1970), da Universidade de Oxford, que desenvolveu sistemas de identificação em uso até nossos dias.

A principal publicação com detalhadas descrições de vasos gregos conservados por diversas instituições, o Corpus Vasorum Antiquorum (CVA), foi idealizada em 1919 por Edmond Pottier e começou a ser sistematicamente publicada em 1923. Desde então, centenas de livros e artigos especializados sobre os vasos gregos são publicados anualmente (Oakley, 2009).

No Brasil, estudos sobre a cerâmica grega são desenvolvidos e publicados há vários anos por estudiosos do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.

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