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0954X

Fragmento da ‘Atlântida’ de Helânico

início do sæc. ii

Papiro de Oxirrinco, Egito (P. Oxy. 08.1084, col. 2)

AcervoBiblioteca Firestone da Universidade de PrincetonImagemAPIS ProjectFonte / ©Wikimedia CommonsLicençaDomínio públicoIluminura0954
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Papiro paraliterário, escrito em unciais romanas (letras maiúsculas); constitui o Fragmento 19b Fowler de Helânico de Lesbos.

À esquerda, transcrição do texto, linha a linha; à direita, alguns dos nomes míticos que aparecem (em negrito na transcrição grego / tradução):

Linha Transcrição Tradução
1 νων ἐν σπῆϊ· τ[ῶν  
2 δὲ γίγνεται ῾Ερμ[ῆς Hermes
3 φιλήτης, ὅτι αὐ‐  
4 τῆι φιλησίμ[ως  
5 συνεκο̣ιμ̣[ᾶτο·  
6 καὶ γ[ίγνεται θε‐  
7 ῶν κῆ[ρυξ] ἀγήρ[αος  
8 καὶ ἀθάνατος. Κ[ε‐ Ce-
9 λαινοῖ δὲ μίσγε‐ < leno
10 ται Ποσειδέων· < Posídon
11 τῶν δὲ γίγνεται  
12 Λύκος, ὃν ὁ πατὴρ Lico
13 κατοικίζει ἐν μα‐  
14 κάρων νήσοις, <  
15 καὶ ποιεῖ ἀθάνα‐  
16 τον. Τηϋγέτηι δὲ Taígete
17 [Ζε]ὺς μίσγεται· τῶν Zeus

Nessa obra perdida, Atlântida, Helânico catalogou as ligações amorosas das filhas de Atlas e seus descendentes. O estilo se assemelha ao de Hesído: A uniu-se amorosamente (gr. μίσγεται) a B, e C nasceu.

No fragmento, apenas duas Plêiades são mencionadas, Celeno e Taígete. Maia, a mãe de Hermes, o qual aparece na linha 2, era provavelmente mencionada um pouco antes da linha 1. As linhas 8-16 contêm enunciado completo:

Κελαινοῖ δὲ μίσγεται Ποσειδέων· τῶν δὲ γίγνεται Λύκος, ὃν ὁ πατὴρ κατοικίζει ἐν μακάρων νήσοις, καὶ ποιεῖ ἀθάνατον. Celeno uniu-se amorosamente a Posídon e deles nasceu Lico, a quem o pai estabeleceu nas ilhas dos Bem-Aventurados[1] e tornou imortal.
Notas
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  1. Após a morte terrena, os deuses enviavam seus escolhidos para as ‘ilhas dos bem-aventurados’ (gr. Μακάρων νῆσοι, Od. 4.561) onde levavam nova vida, perfeita e agradável. O local era vagamente situado no extremo oeste do rio Oceano, metáfora para lugares distantes e inalcançáveis. Na época clássica falava-se dos ‘campos Elíseos’ (gr. sg. Ἠλύσιον πέδιον), prado aprazível e de grande beleza situado igualmente na margem de Oceano; nas versões tardias dos mitos, situava-se o Ἡλύσιον em algum lugar do hades, o mundo subterrâneo dos mortos. É essa, aparentemente, a origem da crença de cristãos e muçulmanos no céu.