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Onomácrito

Seção: literatura grega320 palavras
Ὀνομάκριτος Onomácrito
iiniSacerdotiza de Delfos

Onomácrito era um χρησμολόγος, isto é, um coletor ou colecionador / conservador de oráculos.

Viveu na época de Hiparco, filho de Psístrato, mais ou menos entre -530 e -480. Sua função principal era coletar, conservar e, quando necessário, selecionar e recitar determinados oráculos em Atenas, especialmente os atribuídos a Museu. De acordo com Aristóteles (Política 1274a), era natural da Lócrida, estudou em Creta a arte da adivinhação, foi companheiro de Tales de Mileto e era versado em leis.

Heródoto conta que Onomácrito foi surpreendido pelo poeta lírico Laso de Hermíone (fl. sæc. -VI) inserindo um falso oráculo na coleção de Museu, o de que a ilha de Lemnos afundaria no mar. Indignado, o tirano Hiparco expulsou-o de Atenas, porém anos depois os dois estavam juntos, em Susa, pouco antes de -480. Os dois tentaram convencer o rei Xerxes a invadir novamente a Grécia recitando apenas os oráculos de Museu compatíveis com as aspirações dos persas.

Seu nome passou à posteridade, consequentemente, como interpolador de textos antigos e um dos primeiros forjadores de que temos notícia. Onomácrito não era, porém, desprovido de talento e erudição, e parece ter composto um poema em honra de Dioniso (Paus. 8.37.5), culpando os Titãs pelos ‘sofrimentos do deus’, e outros que seriam mais tarde atribuídos a Orfeu (‘oráculos’ e ‘rituais’, Suda s.v. Ὀρφεύς, ο 654; Clemente de Alexandria, Miscelânea 1.21).

Pausânias (8.31.3; 9.35.5) fala ainda de um ou mais poemas de Onomácrito não especificados e, dada sua fama de interpolador, acreditava também que passagens atribuídas a Museu haviam sido na verdade criadas por ele (1.22.7).

Consta, finalmente, que Onomácrito foi o primeiro editor ou, talvez, compilador de Homero (schol. Odisseia 11.604-6), possivelmente um dos responsáveis pela reunião das diversas partes da Ilíada e da Odisseia, vindas da Jônia para a Grécia Continental (ver Plutarco, Vida de Licurgo 4). Segundo a tradição, os poemas homéricos receberam a forma escrita em Atenas, na época dos psistrátidas.