Ifigênia

Seção: mitologia grega
iiniO relevo dos deuses, de Brauron

Ifigênia (gr. Ἰφιγένεια, talvez a “Ifiánassa” de Homero (cf. Il. 9.145) era a filha mais velha de Agamêmnon e Clitemnestra, sacrificada pelo próprio pai para que os gregos conseguissem conquistar Troia.

Quando se formou a seguna expedição contra Troia, as forças gregas se reuniram em Áulis, mas os navios não conseguiam sair do porto, pois Ártemis retinha os ventos favoráveis. Segundo o adivinho Calcas, a deusa havia sido desrespeitada por Agamêmnon e agora ela exigia, como reparação, o sacrifício da filha mais velha do rei.

Agamêmnon hesitou, mas efetivamente sacrificou a filha para que as embarcações gregas pudessem deixar Áulis e atacar a cidadela de Troia. Em outra versão, no último momento a jovem foi salva pela própria Ártemis, substituída no altar de sacrifícios por uma corça, mas aparentemente a família e o exécito grego acreditaram que ela havia morrido e a corça era um sinal de que a deusa aceitara o sacrifício. Em algumas versões, a deusa a salvou e ela foi transformada em Hécate.

iOrestes e Ifigênia em Táuris

Na versão que se tornou canônina, e a deusa deixou-a na Táurida, região bárbara e selvagem situada na Crimeia atual, e Ifigênia se tornou a sacerdotiza de seu templo. Sua função, determinada pelo bárbaro rei Toas, era sacrificar a Ártemis todos os náufragos — em especial os gregos — que apareciam nas praias.

Anos depois da morte de Agamêmnon e Clitemnestra, seu irmão Orestes encontrou-a na Táurida e, com o auxílio do amigo Pílades, libertou-a e a levou para a Ática, onde Ifigênia se tornou sacerdotiza de Ártemis no santuário de Brauron.

Literatura, iconografia e artes

A versão do efetivo sacrificío de Ifigênia foi descrito por Ésquilo no Agamêmnon, e a versão da troca pela corça por Eurípides, nas tragédias Ifigênia em Táuris e Ifigênia em Áulis. Sua transformação em Hécate foi mencionada Por Estesícoro (F 38) e pelos autores dos Cantos Cíprios (Procl. Chr. 80.42-9) e do Catálogo das Mulheres (F 19-20).

Passagens selecionadas

A partir da Renascença, Ifigênia e a história de seu sacrifício (especialmente a versão euripidiana) serviram de tema a obras literárias (Dolce, 1545-1551; Coster, 1617; Routrou, 1643; Racine, 1674; Algarotti, 1755), a óperas (Scarlatti, 1713; Glück, 1774), a balés (Le Picq, 1775; Gambuzzi, 1781), a filmes (Cacoyannis, 1977) e inspirou até mesmo uma novela moderna, The Songs of the Kings (Unsworth, 2003).

Uma boa quantidade de imagens do sacrifício de Ifigênia e de seu resgate em Táuris, criadas na Antiguidade, chegaram até nós (cerâmica, mosaicos, esculturas, joias). Também são relativamente numerosas pinturas e gravuras criadas após a Renascença.

Culto

A despeito de seu relevante papel na lenda heroica, Ifigênia era primitivamente uma divindade pré-helênica, ligada à fertilidade da natureza e também à morte, e posteriormente foi assimilada a Ártemis e mesmo considerada uma de suas manifestações. Ifigênia também era confundida com Hécate, outra divindade associada a Ártemis e a seus aspectos mais sombrios.

Ártemis e Ifigênia eram cultuadas juntas em diversos santuários, especialmente em Brauron, na Ática, e em Mégara, perto do istmo de Corinto.