Estasino / Cantos cíprios

Seção: literatura grega
Κύπρια Cypria Cypr. -550 / -500
iiniO julgamento de Páris

Cantos Cíprios (gr. Κύπρια) é o título tradicional de um poema cíclico relacionado com a Guerra de Troia, provavelmente composto no século -VII (Bernabé, 1996, p. 43) ou, de acordo com West (2003), na segunda metade do século -VI.

O autor parece ter sido um poeta chamado Estasino, que nasceu ou viveu em Chipre — e é só o que sabemos dele. Mesmo os eruditos antigos tinham dúvidas sobre a autoria do poema.

Restam apenas o argumento e alguns fragmentos do poema, escrito aparentemente em hexâmetros dactílicos, divididos em 11 livros. Perto da Ilíada o poema é apenas uma obra menor, com episódios pouco coesos (Arist. Po. 1459b) e mal alinhavados, mais parecido com um catálogo do que com uma epopeia.

Argumento

O texto foi escrito séculos depois da Ilíada e através dele o autor procurou mostrar as causas míticas da Guerra de Troia e descrever todos os acontecimentos anteriores à Ilíada. Conhecemos o argumento graças a Proclo, que conservou um resumo do texto em sua Crestomatia.

Zeus recebe um protesto de Gaia, cansada com o excesso de homens sobre ela, e planeja aliviá-la através de uma guerra de grandes proporções. Seus dois principais instrumentos serão Helena, que desencadeará a guerra, e Aquiles, que fará a maior parte da matança. Seguem-se as núpcias de Peleu e Tétis, o julgamento de Páris, o rapto de Helena, a formação do exército grego, a primeira expedição a Troia, a segunda reunião em Áulis e o sacrifício de Ifigênia, e os primeiros nove anos de guerra.

O poema termina abruptamente, e a sequência de acontecimentos continua na Ilíada, com a “cólera de Aquiles” (Ilíada 1.8- ...), situada no início do último ano da Guerra de Troia.

Passagens selecionadas

Fragmentos, edições e traduções

As mais antigas edições do resumo de Proclo e dos fragmentos são a de Henrichsen (1828) e Welcker (1834); as mais recentes são a de Allen (1911), Evelyn-White (1914), Bernabé (1987), Davies (1988) e West (2003).

Não há, ainda, tradução do argumento e dos fragmentos para o português. Traduzi apenas o trecho de Proclo que relata o sacrifício de Ifigênia (Ribeiro Jr., 2010, p. 81-2).