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Políbio

Seção: história grega640 palavras
Πολύβιος Polybius Historicus Polyb.

Político e notável historiador, Políbio (gr. Πολύβιος) escreveu em grego a respeito do crescente poderio romano no Mediterrâneo ao longo dos séculos -III e -II.

Biografia

iPolíbio (?)

Nasceu em Megalópolis, Arcádia, por volta de -200. Licortas, seu pai, era amigo de Filopemen (c. -253/-182) e foi um dos mais proeminentes comandantes da Liga Aqueia.

Logo se envolveu em atividades políticas: esteve no Egito em -180 como representante da Liga e se tornou o comandante de sua cavalaria mais ou menos em -170.

Ele foi um dos principais responsáveis pela neutralidade da Liga Aqueia durante a guerra entre Roma e Perseu da Macedônia (c. -213/-167). Após a batalha de Pidna (-168) foi levado para Roma na qualidade de refém, juntamente com outros 999 nobres Aqueus, onde permaneceu durante 17 anos. Homem culto, logo foi admitido na casa de Lúcio Emílio Paulo (-228/-160), o vencedor da Terceira Guerra Macedônica, e se tornou amigo do jovem Cipião Emiliano (-185/-129). Acompanhou Cipião à África em -146, quando presenciou a destruição definitiva de Cartago.

Nesse mesmo ano, quando a revoltada Liga Aqueia foi derrotada e dissolvida, Políbio retornou à Grécia para organizar a nova província da Macedônia, adequando os governos locais (das póleis) às instituições romanas. Sua equilibrada e eficiente atuação valeu-lhe o reconhecimento dos gregos vencidos e dos romanos vencedores.

Voltou a Roma logo depois, mas continuou viajando. Esteve aparentemente em Sardes, em Alexandria e em Numância, na península ibérica, quando a cidade foi conquistada por Cipião Emiliano (-133). Voltou à Grécia após a morte do amigo (-129) e morreu por volta de -118, em consequência de uma queda de cavalo.

Obras sobreviventes

Políbio escreveu um panegírico dedicado a Filopemen, falecido em -182, um texto sobre táticas militares, uma história da tomada de Numância e um tratado sobre as regiões equatoriais; nenhum deles chegou até nós.

Sua história de Roma (Histórias), em 40 volumes, cobria o período de -264 a -146; a parte que trata dos eventos ocorridos entre -264 e -168 parece ter sido publicada mais ou menos em -150. Apenas os livros 1-5 sobreviveram, juntamente com longos fragmentos dos outros volumes.

Políbio desenvolveu também um método simples de criptografia[1], baseado na substituição de letras por uma combinação de dois números; é um dos mais antigos sistemas criptográficos de que se tem notícia.

Características da obra

Políbio considerava a história uma verdadeira ciência, que exigia o amor à verdade, o exame metódico e crítico das informações disponíveis e, ainda, o exame direto dos locais em que os eventos ocorreram (Plb. 12.28). Foi ele, aparentemente, o primeiro historiador a atribuir tal importância à geografia.

Como historiador, interessou-se principalmente pelas instituições romanas e pelos fatores que permitiram a hegemonia de Roma no Mediterrrâneo. Em Histórias não se limitou à simples descrição dos fatos políticos e militares em ordem cronológica. As causas políticas e sociais e as consequências dos eventos mais importantes, assim como o papel determinante das instituições romanas, são discutidos de forma crítica e ponderada.

Em sua visão, a história é uma experiência passada que deveria moldar o futuro e constituir um aprendizado para as gerações vindouras. Escrupuloso, Políbio fazia questão de embasar suas análises em dados sólidos: informações confiáveis de outros historiadores (Calístenes, Filarco e Teopompo, entre outros), cartas, registros públicos gregos e romanos, inscrições e, em especial, tudo o que testemunhou pessoalmente ao longo de sua convivência com os romanos.

Políbio escreveu em dialeto ático. Foi um grande historiador, mas do ponto de vista literário seu estilo é frio, direto, austero e um pouco rígido.