A botânica grega

Seção: ciência grega250 palavras
Nas antigas culturas humanas, as plantas parecem ter sido observadas somente do ponto de vista de sua utilidade e de seu uso em medicina.
Peter V. Sengbusch
iiniAmora-preta selvagem

A palavra ‘botânica’ (gr. βοτανική) deriva do adjetivo grego βοτανικός, ‘que se refere a plantas’. Desde a mais alta Antiguidade se sabe que as plantas são fontes importantes de alimentos e de remédios para o homem, além de fornecerem matéria-prima para ferramentas, casas, móveis, barcos e outras necessidades do dia-a-dia; daí o grande interesse em seu estudo.

Entre os gregos, as mais antigas observações referentes às plantas podem ser encontradas nos poemas homéricos, em Hesíodo e em alguns fragmentos do filósofo pré-socrático Empédocles de Acragás (-492/-432).

As primeiras referências científicas significativas estão, no entanto, na coleção hipocrática: perto de trezentos remédios preparados com plantas são mencionados em diversos tratados. Em um deles, Da Natureza da Criança, a germinação das sementes, crescimento das plantas e até mesmo alguns aspectos da fisiologia vegetal foram abordados. Aristóteles (-384/-322) fez algumas menções às plantas, especialmente para compará-las com os animais, mas foi seu discípulo Teofrasto (-371/-287) quem escreveu os mais extensos e influentes tratados de botânica da Antiguidade.

Depois de Teofrasto, tiveram considerável importância as coletâneas de ervas medicinais dos médicos Crateuas de Pérgamo (sæc. -I), Diocles de Caristo (sæc. -IV) e Dioscorides (c. 40/90), assim como as observações de Galeno quanto ao uso de plantas no tratamento de doenças.

Consta que Crateuas foi o primeiro autor a ilustrar seu trabalho com imagens de plantas.