A cerâmica da Idade das trevas

Seção: arte grega
-1100 a -750
iiniÂnfora protogeométrica

Após curto período submicênico, a decoração da cerâmica grega evoluiu para estilos caracterizados por motivos geométricos variados, mas repetitivos.

Aparentemente, o novo estilo começou na Ática e se espalhou pelas demais regiões gregas, com diversas alterações ao longo do tempo (Tab. 1).

Tabela 1. Cronologia dos estilos cerâmicos na Ática EstilosDatas submicênico-1100 a -1000 protogeométrico-1050 a -900 geométrico antigo-900 a -850 geométrico médio-850 a -760

Estilo submicênico

Durante o primeiro século após a derrocada dos centros micênicos (-1100/-1000), desenvolveu-se na Ática e na Argólida o estilo submicênico[1]. Há evidências dessa etapa também em Chipre, na Eubeia e no Peloponeso; em Creta, ela é comparável ao estilo subminoico (D'Agata 2011), um pouco mais exuberante, que persistiu até o século seguinte.

iDecoração submicênica, -1060/-1000

Os vasos submicênicos são mal-acabados, com paredes espessas, superfície heterogênea e pouco lisa. A decoração, pobre e irregular, foi reduzida a um mínimo de faixas lisas e linhas onduladas desiguais e irregulares, feitas à mão livre e sem grande precisão [Ilum. 1260].

Para alguns estudiosos, o submicênico e o subminoico são uma desajeitada imitação de alguns dos exuberantes estilos micênicos dos séculos precedentes.

Estilo protogeométrico

Em -1050 apareceu, primeiramente na Ática, um estilo diferente e mais elaborado, inspirado em parte no estilo submicênico e, talvez, na cerâmica de Chipre (estilo ciprogeométrico). Esse estilo protogeométrico logo chegou a outras regiões, notadamente Eubeia, Macedônia[2], Tessália, Cíclades e Creta. Em Atenas durou até -900, mas em outras regiões (e.g. Eubeia e Creta) adentrou o século -IX.

Os vasos protogeométricos eram mais bem fabricados do que seus antecessores, com proporções mais elegantes. As paredes, mais finas e de superfície mais lisa, eram provavelmente decorrência de rodas de oleiro mais rápidas e do aquecimento da argila a temperaturas mais elevadas. Há vasos de fundo claro, na cor da cerâmica [Ilum. 336], ou de fundo escuro, recobertos de espessa camada de tinta brilhante [Ilum. 1277]. Alguns deles, de grande tamanho, foram encontrados em túmulos e guardavam as cinzas e ossos dos mortos.

iDecoração geométrica sobre fundo claro, -975/-950

As faixas, linhas e ondulações dos ornamentos são mais finas e regulares; são comuns arcos e semicírculos traçados de forma regular e precisa, com o auxílio de compassos com múltiplos pincéis. A decoração típica não ocupava toda a superfície do vaso e a presença de figuras, todas esquemáticas, era raríssima.

É evidente, nos vasos da Macedônia e de Chipre, a influência da cerâmica protogeométrica ática. Em Creta, a decoração é similar à da Grécia continental, mas a persistente tradição minoica se nota pelos vasos em forma de animais e pela frequência maior de figuras esquemáticas, inspiradas em motivos do Bronze Recente.

Geométrico antigo e médio

O estilo geométrico é uma evolução do protogeométrico, mas tem ainda influências do final do Período Micênico. Apareceu por volta de -900, primeiramente em Atenas, e na Idade das Trevas passou por duas etapas: o geométrico antigo (-900/-850) e o geométrico médio (-850/-760), caracterizados pela combinação e repetição de número relativamente restrito de padrões geométricos simples.

Fig. 0173. Alguns padrões decorativos do Geométrico. Na parte central, entre as faixas com 3 linhas, se vê um meandro que corre para a esquerda.

Nos vasos do geométrico antigo, a ornamentação usualmente se restringe ao colo e à parte superior do corpo do vaso, perto das alças [Ilum. 404]. Painéis retangulares, às vezes isolados, e faixas claras dividas em painéis, preenchidas com motivos geométricos repetitivos (Fig. 0173) contrastam com as partes lisas e escuras do resto do vaso.

As faixas com desenhos geométricos às vezes são largas e ocupam a maior parte da superfície. Os motivos geométricos repetitivos, como linhas onduladas, ziguezagues, losangos e triângulos continuaram a ocupar a maior parte da superfície; círculos e arcos concêntricos se tornaram cada vez mais raros.

Fig. 0174. Ameia (sup.); meandro (inf.).

Alguns motivos ornamentais (Fig. 0174) começaram a ser utilizados nessa época, notadamente a ameia e o meandro (gr. μαίανδρος, lat. graeca). O meandro, constituído por uma sequência de linhas retas de espessura variável que se dobram sobre si mesmas em ângulo reto[3] e fluem para a direita ou para a esquerda, posteriormente se tornou um dos elementos decorativos mais utilizados na arte grega e romana antiga.

Não há figuras nos vasos do geométrico antigo. No geométrico médio, por sua vez, surgem imagens estilizadas de animais e homens entre os motivos geométricos [Ilum. 1280]. Cenas relativamente complexas, que representavam algum tipo de narrativa, começaram a ser cada vez mais utilizadas pelos decoradores, particularmente a partir de -800.