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Parmênides de Eleia

Παρμενίδης Parmenides Poeta Phil. Parm.

Parmênides, o mais antigo dos eleatas, foi o mais prestigiado entre os filósofos que antecederam Platão.

Sua influência na teoria das formas platônica foi muito significativa. Platão dedicou a ele um diálogo inteiro, o Parmênides, além de mencioná-lo com deferência em muitos outros.

Biografia e obra

Nasceu por volta de -515 em Eleia, A data de sua morte não é conhecida, mas especula-se que tenha ocorrido por volta de -450. Era membro de uma ilustre família, e consta que "escreveu as leis" de Eleia (Diógenes Laércio 9.23).

Zênon de Eleia foi, certamente, seu discípulo (Platão, Parmênides 127a) e sabemos que o discípulo era cerca de 25 anos mais jovem do que o mestre.

Parmênides

Sua doutrina se distingue das anteriores notadamente pelo monismo e pelo imobilismo. Parmênides propôs que tudo o que existe é eterno, imutável, indestrutível, indivisível e, portanto, imóvel — o que alguns chamam de "doutrina do Uno". Essa verdade, o domínio do "ser", corresponde às coisas que são percebidas pela mente; o que é percebido pelas sensações, por outro lado, é enganoso e falso, e pertence ao domínio do "não ser".

Trata-se de uma oposição direta ao mobilismo preconizado por Heráclito de Éfeso, para quem "tudo passa, nada permanece" (Platão, Crátilo 402a).

Ao contrário de quase todos os filósofos precedentes, que divulgaram seus pensamentos em prosa, ele escreveu sua grande obra, Da Natureza, em versos hexâmetros semelhantes aos de Homero, e atribuiu suas ideias a uma revelação divina.

Tradicionalmente, o poema é dividido em Proêmio, Caminho da Verdade e Caminho da Aparência.

Parmênides e Hipátia

A célebre expressão filosófica "nada vem do nada" (lat. ex nihilo nihil fit), associada em nossos dias às leis físicas de conservação da massa e da energia, deriva das teses de Parmênides relativas ao "ser" e ao "não ser".

Os textos

Fragmentos

O Proêmio e quase todo o Caminho da Verdade de Parmênides chegaram até nós, através dos médicos Sexto Empírico (fl. sæc. II/III) e Simplício (sæc. VI).

Dele temos, ainda, vários fragmentos de pequena extensão e uma abundante doxografia, notadamente em Platão, Aristóteles e Teofrasto.

Edições

A editio princeps dos fragmentos é a de Henri Estienne (Henricus Stephanus), publicada em 1573. Seguiram-na a de Fulleborn (1795), Peyron (1810), Karsten (1835), Diels (1897), Riezler (1934), Beaufret (1955), Cornford (1980), Cordero (1984) e Henn (2003), entre outros.

Atualmente, a melhor coletânea para os fragmentos e a doxografia é a obra de Diels e Kranz (61951); a edição crítica de Kirk, Raven e Schofield (41994) é, também, muito útil.

Traduções

Há várias traduções do fragmento maior de Parmênides para o português: Bornheim (1967, p. 53-9.), Cavalcante de Souza (1973 = Cavalcante de Souza e Kuhnen 1991, p. 75-83), Mourão (1987), Trindade dos Santos (1997), Rocha Pereira (1998).

Os fragmentos menores foram traduzidos por Cavalcante de Souza (1973).

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