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Píndaro / Píticas

Área: literatura grega
Πυθιονικῶν Pythia Pi. P.-490 / -462
 
O estádio de Delfos

O livro das Πυθιονικῶν, ‘Odes Píticas’ de Píndaro, contém 12 odes triunfais organizadas em ordem não cronológica e, com exceção da II, foram dedicadas a vitórias obtidas nos Jogos Píticos. Esse festival, celebrado em Delfos em honra ao deus Apolo, ocorria a cada quatro anos no terceiro ano após as Olimpíadas.

Odes sobreviventes

Chegaram até nós apenas doze odes píticas; todas seguem, de forma geral, a estrutura básica da ode pindárica, e a data de quase todos está razoavelmente estabelecida.

1. Para Hieron de Etna, vencedor da corrida de carros -470), 195 versos 2. Para Hieron, vencedor da corrida de carros c. -475, 176 versos 3. Para Hieron de Siracusa -474, 205 versos 4. Para Arquesilau de Cirene, vencedor da corrida de carros -462, 533 versos 5. Para Arquesilau de Cirene, vencedor da corrida de carros -462, 167 versos 6. Para Xenócrates de Acragás, vencedor da corrida de carros -490, 55 versos 7. Para Mégacles de Atenas, vencedor da corrida de carros -486, 23 versos 8. Para Aristomenes de Egina, lutador -446), 145 versos 9. Para Telesícrates de Cirene, vencedor da corrida de hoplitas -474, 220 versos 10. Para Hipocléas, tessaliano, vencedor da corrida dupla para meninos -498, 111 versos 11. Para Trasídeos, tebano, vencedor do estádio para meninos -474, 96 versos 12. Para Midas de Acragás, vencedor do concurso de auletas -490, 56 versos

Os argumentos míticos

A I Pítica contém um magnífico elogio à música, além de menções a Zeus, a Tífon e sua relação com as erupções do Etna, perto do qual Hieron de Siracusa (c. -478/-467) fundou uma cidade por volta de -476. No panegírico, ele é comparado ao herói Filoctetes. A II Pítica fala sobre o dever do reconhecimento de benefícios recebidos, e cita os exemplos de Íxion e de Radamante.

A III Pítica, na verdade, não é bem uma ode triunfal, pois se refere a vitórias antigas e menciona a doença que está minando a saúde de Hieron; o mito, naturalmente, é o de Asclépio e do centauro Quíron. A IV Pítica é a mais longa das odes pindárias, e conta o mito de Jasão e dos Argonautas. A V Pítica fala do deus Apolo e seus atributos.

A curta VI Pítica, dedicada a um amigo pessoal de Píndaro, menciona Antíloco, guerreiro grego que lutou na Guerra de Troia, um dos mais marcantes exemplos de dedicação filial da literatura grega. A VII Pítica é mais curta ainda e faz um elogio à ilustre família ateniense dos Alcmeônidas, sem citar nenhum mito.

A VIII Pítica recomenda humildade ao jovem e bem sucedido vencedor, citando os exemplos do gigante Porfírion, vencido por Apolo, e de Tífon, vencido por Zeus. A IX Pítica conta a lenda de Aristeu, o herói fundador de Cirene (norte da África), nascido do amor entre Apolo e a ninfa Cirene. A X Pítica, a mais antiga ode pindárica conhecida, menciona o mito de Perseu; a XI Pítica fala do mito de Orestes.

A XII Pítica, finalmente, é a única a elogiar um músico, e não um atleta; menciona o mito de Perseu e a invenção do aulo pela deusa Atena.

Coletâneas do Portal

Passagens selecionadas, com tradução:

Manuscritos, edições, traduções

As Píticas não chegaram até nós através de um único manuscrito. Os mais importantes são o Vaticanus graecus 1312 (sæc. XII), da Biblioteca do Vaticano, e dois Parisinus graecus da Biblioteca Nacional de Paris, o 2774 (sæc. XII-XIV) e o 2403 (sæc. XIII).

A edição princeps é a Aldina, publicada em 1513. As edições mais recentes são as de Boeckh (1811-1821), Tycho-Mommsen (1864) e Bergk (1878-1882). As mais atualizadas são as de Puech (1922), utilizada aqui, e de Snell-Maehler (51997); a mais acessível é a de Race (1997).

A primeira edição portuguesa de Píndaro é a de Francisco Dias Gomes (1799), que traduziu a I Pítica. Mais recentemente, Malhadas e Moura Neves traduziram mais algumas odes píticas (1976).