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Sófocles

Área: literatura grega  |  980 palavras
Σοφοκλῆς Sophocles Tragicus Soph.

Sófocles é o segundo dos poetas trágicos gregos canônicos e o mais bem sucedido autor de tragédias do século -V, com o maior número de vitórias nos concursos dramáticos de Atenas.

Os atenienses veneravam Ésquilo, compreendiam Eurípides (apenas em parte) e amavam Sófocles apaixonadamente...

Desde sua primeira vitória, aos 28 anos, Sófocles foi festejado e homenageado como o maior dos poetas trágicos e, de acordo com a tradição biográfica, participou ativamente da vida pública de Atenas.

Biografia

O poeta nasceu c. -496 em Colono, perto de Atenas. Era de família abastada, mas não aristocrática, e o pai chamava-se Sófilo. Viveu sempre em Atenas e lá morreu, nonagenário, em -406/-405.

Como todo autor antigo, a tradição conservou uma série de histórias a seu respeito, a maioria delas não comprovada.

Sófocles (-496/-405)

Era bem apessoado e afável; consta que foi amigo de Péricles e de Heródoto e que Iofon, seu filho, e Ariston, seu neto, foram tragediógrafos de renome. Diz-se que, meses antes de sua morte, ao saber que seu rival Eurípides morrera, vestiu o coro e os atores de preto e, em lágrimas, deu ao público a notícia (Vida de Eurípides ia.11).

Liderou o coro de jovens que celebrou a vitória de Salamina e, graças ao seu prestígio, foi tesoureiro da Liga de Delos em -443, estrátego em -441 (ao lado de Péricles) e por volta de -428 (na época de Nícias). Em -413, após o desastre da Sicília, foi um dos dez próbulos[1] que governaram provisoriamente a cidade.

Era devoto de Asclépio e, enquanto o asclepieion de Atenas era construído, a estátua do deus ficou acomodada em sua casa. Em agradecimento pelo serviço prestado à divindade, Sófocles foi honrado como um herói após a sua morte.

As fontes principais são a anônima Vida de Sófocles e o verbete da Suda (σ 815). Há também algumas inscrições e muitas, muitas citações nos escritores antigos.

Obras sobreviventes

Estreou em -468 nas Dionísias Urbanas com a tragédia Triptólemo; embora concorresse com o próprio Ésquilo, recebeu o primeiro prêmio. Venceu os concursos 18 ou 24 vezes, e nunca obteve menos do que o segundo lugar. Os testemunhos antigos atribuem-lhe cerca de 120 tragédias e dramas satíricos, dos quais cerca de 18 eram tetralogias, um hino a Apolo e alguns poemas. Somente sete tragédias, no entanto, chegaram até nós na íntegra.

Das tragédias sobreviventes, Ájax, Antígona, As traquinianas, Édipo Rei, Electra, Filoctetes e Édipo em Colono, somente o Filoctetes pode ser datado com precisão.

Note-se que Édipo Tirano é mais conhecida pela tradução incorreta do título original, Édipo Rei, e que Édipo em Colono foi encenada e apresentada pelo jovem Sófocles, neto de Sófocles, anos depois da morte do poeta.

Do drama satírico Rastreadores, de data incerta, temos boa parte dos versos, mas não o drama completo.

Os enredos de todas as tragédias sofoclianas provêm da mitologia grega; o drama satírico Rastreadores foi, no entanto, inspirado por um antigo hino homérico a Hermes, tradicionalmente atribuído a Homero.

Características da obra

Ὁρῶ γὰρ ἡμᾶς οὐδὲν ὄντας ἄλλο πλὴν εἴδωλ', ὅσοιπερ ζῶμεν, ἢ κούφην σκιάν. Vejo, pois, que nada somos além de fantasmas, todos nós que vivemos: apenas sombras vazias. Sófocles, Ájax 125-6

Alguns eruditos sustentam que, com Sófocles, a tragédia grega atingiu a perfeição. Ele teria aumentado ainda mais os diálogos dos personagens e reduzido as falas do coro, embora tenha elevado o número de seus componentes. Acrescentou um terceiro ator para conferir mais dinamismo às cenas, recurso utilizado posteriormente por Ésquilo na Oresteia. Em sua época as tetralogias não eram mais compostas de tragédias interligadas e os enredos se tornaram mais complexos.

Sua poesia é simples, elegante, sem pompa; algumas das mais belas linhas da poesia grega são de sua autoria. O personagem sofocliano é um ser humano ideal, dotado dos mais elevados atributos humanos. Seu caráter, habilmente delineado pelo poeta, frequentemente contrasta com o de outros personagens. O comportamento às vezes muda, e até traços de caráter se alteram diante das reviravoltas da fortuna.

Os deuses aparecem em segundo plano, são constamente citados mas raramente intervêm em pessoa; praticamente toda a ação se desenvolve no plano humano. Como se costuma dizer, ao teocentrismo de Ésquilo opunha-se o antropocentrismo de Sófocles.

Arrogância, orgulho desmedido e pecado levam ao desastre, e a moderação é sempre apresentada como o melhor caminho. O sofrimento trágico é inevitável diante dos atos cometidos, e mesmo os descendentes sofrem, mas esses atos são cometidos livremente pelos personagens.

Os textos

Sinopses

Há sinopses de todas as tragédias completas no Portal. Eis a lista, na ordem habitual das edições, com datas prováveis da primeira representação:

Manuscritos e edições

Edição de 1597 do texto de Canter

A fonte mais importante de todas as tragédias de Sófocles, em conjunto, é o manuscrito Mediceus (Laurentianus 32.9), da Biblioteca Laurenciana de Florença, datado do final do século X.

A editio princeps de Sófocles é a Aldina (Veneza, 1502), logo seguida pelas de Henri Estienne (Paris, 1568) e William Canter (Antuérpia, 1579), este o primeiro a organizar os cantos corais em estrofe e antístrofe.

Atualmente, as edições padrão são as de Roger Dawe (Leipzig, 2 v., 21984 e 1985) e de Hugh Lloyd-Jones e Nigel Wilson (Oxford, rev.1992). Lloyd-Jones também preparou edição simplificada para a coleção Loeb (corr.1997-1998).

há dramas editados e traduzidos isoladamente

Traduções

Todas as tragédias completas foram já todas traduzidas para o português, isoladamente. Não dispomos, todavia, de edição unificada com a tradução de todas as peças.

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